Livro de "Aves de Vila Pouca de Aguiar"

       Com ilustrações feitas pelos alunos do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar, vamos elaborar um livro sobre as espécies de aves existentes no conselho, descrevendo alguns dos aspetos da sua identificação bem como as suas particularidades relativamente à nossa região. Assim, neste espaço, semanalmente será acrescentada uma espécie, enquanto este livro estiver em desenvolvimento.                                                 Início na primeira semana de 2016

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Desenho elaborado por Sara Ferreira

Nome comum: Pisco-de-peito-ruivo

Nome científico: Erithacus rubecula

Tamanho: 13 a 14 cm

        É uma ave comum, que se encontra entre nós todo o ano e nidifica na nossa região. No inverno é mais numerosa devido aos indivíduos vindos da europa. Anda quase por todo o lado, desde que tenha bastante vegetação intercalada com áreas abertas. Alimenta-se principalmente de insetos, aranhas e vermes, comendo também algumas bagas e sementes no outono e inverno. Tem a particularidade de cantar para demarcação de território também no inverno, com maior regularidade no início e no final do dia. Tem um bonito canto melódico com sons agudos e o seu chamamento é baseado num repetido e mecânico tic, tic, tic. É um pouco curiosa e destemida, podendo ser observada nos jardins da vila e das nossas escolas.

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Desenho elaborado por João Cardoso

Nome comum: Garça-real

Nome científico: Ardea cinerea

Tamanho: 85 a 100 cm

         A Garça-real é uma das maiores aves que se pode observar na nossa região. Está por cá todo o ano, mas é escassa nos meses de verão, ficando apenas alguns indivíduos e não é nidificante entre nós. Habita os locais húmidos, margens de lagos e rios, campos e lameiros. Come peixes, anfíbios, ratos e insetos. Podemos vê-las mais facilmente nas proximidades dos rios Corgo e Avelames, mas também junto aos rios Torno e Tinhela. É frequente observá-la em alimentação, pousada nos campos ao lado da estrada entre Vila Pouca de Aguiar e Tourencinho.

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Desenho elaborado por Isabel Belo

Nome comum: Trepadeira-azul

Nome científico: Sitta europaea

Tamanho: 12 a 14 cm

        É uma pequena, mas robusta ave que se encontra nas nossas florestas, principalmente nos carvalhais e soutos. Está por cá durante todo o ano e nidifica em buracos nas árvores, costumando arranjar a entrada com barro. Anda agarrada aos troncos das árvores, muitas vezes de cabeça para baixo, onde procura as larvas e insetos de que se alimenta. Também come algumas sementes. Um dos locais onde a sua observação é mais fácil é no parque florestal das termas de Pedras Salgadas.

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Desenho elaborado por Érica Borges

Nome comum: Chapim-azul

Nome científico: Cyanistes caeruleus

Tamanho: 11 a 12 cm

É uma pequena, bonita e irrequieta ave das nossas florestas. É comum e está por cá durante todo o ano. Nidifica em pequenos buracos nas árvores e utiliza as caixas ninho dos nossos parques. Também é frequentadora assídua dos comedouros para aves. Alimenta-se de larvas e insetos que procura nas folhas das árvores, comendo também sementes e bagas no outono e inverno. É uma ave inteligente e agressiva apesar do seu pequeno tamanho. Durante o inverno juntam-se em grupos, com outras espécies de chapins, vagueando pela floresta em busca de alimento.

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Desenho elaborado por Sara Ferreira

Nome comum: Estrelinha-real

Nome científico: Regulus ignicapilla

Tamanho: 9 a 10 cm

É a mais pequena ave que existe entre nós pesando apenas 4 a 6 gramas. É residente, vivendo por cá todo o ano e nidificando em pequenos ninhos de musgo que constrói. O seu habitat são as zonas florestais, principalmente em árvores de folha persistente. Alimenta-se de insetos e aranhas, que agilmente procura entra a densa folhagem. É comum, mas difícil de observar devido ao seu pequeno tamanho e por andar sempre no meio das árvores e arbustos. Costumam andar nas árvores que se encontram à entrada da escola sede, sendo mais fáceis de detetar quando escutamos o chamamento agudo que emite.

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Desenho elaborado por João Cardoso

Nome comum: Águia de-asa-redonda

Nome científico: Buteo buteo

Tamanho: 48 a 56 cm

É a ave de rapina mais comum entre nós. Está por cá todo o ano sendo mais frequente na época de inverno, devido a alguns indivíduos que vêm de outas regiões da europa. Nidifica em árvores. A sua alimentação é composta principalmente por pequenos vertebrados, como ratos, rãs, lagartos e cobras. Habita zonas de floresta com espaços abertos onde caça. No verão é frequente concentrarem-se nas encostas das serras viradas ao vento, onde pairam procurando alimento. Durante o inverno são vistas normalmente pousadas em postes ou fios, procurando ratitos pelo chão. Daí a origem do seu nome de “ratonero” em Espanha.

 

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Desenho elaborado por Isabel Belo

Nome comum: Peto-real ou Pica-pau-verde

Nome científico: Picus viridis

Tamanho: 30 a 36 cm

É um pica-pau grande, quase do tamanho de um pombo e vive nas áreas florestais com clareiras da nossa região. Prefere os carvalhos, vidoeiros os castanheiros, mas também frequenta os bosques de coníferas. O seu canto é bem audível, fazendo lembrar um relincho de um cavalo. Há locais do nosso país onde é conhecido por “cavalo relinchão”. Alimenta-se de larvas nos troncos das árvores. Também se observa no chão, onde gosta de se alimentar de formigas e das suas larvas. É uma ave discreta, mas em voo identifica-se bem pelo seu corpo robusto e voo ondulado. Faz ninho escavando um buraco nos troncos das árvores.

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Desenhos elaborados por Sara Ferreira e Anita Roxo

 

Nome comum: Cia

Nome científico: (Emberiza cia)

Tamanho: 15 a 16 cm

É uma pequena ave do grupo das escrevedeiras, existindo sete espécies deste grupo em Portugal e o nosso distrito é o único onde todas elas estão presentes. Está por cá todo o ano. Na primavera e verão anda mais pelos espaços abertos de montanha e no outono e inverno juntam-se em pequenos grupos, aproximando-se mais das aldeias e das zonas agrícolas. Alimentam-se de pequenas sementes pelo chão. Quando voa emite um chamamento agudo mas baixo “sit” que ajuda na sua detecção e identificação. Quando pousa em árvores faz um movimento brusco com a cauda, para baixo, afastando as penas e permitindo ver as suas retrizes laterais brancas.

 

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 Desenho elaborado por Inês Belo
 
Nome comum: Carriça

Nome científico: (Troglodytes troglodytes)

Tamanho: 9 a 10 cm

É uma pequena ave muito comum entre nós, mas difícil de observar pois vive no meio de vegetação densa. Desloca-se muito facilmente entre a vegetação baixa e por vezes observa-se a atravessar espaços abertos a baixa altura, num voo rápido em linha reta. Na primavera expõe-se um pouco mais enquanto emite o seu forte canto territorial pousada num pau. Alimenta-se de insetos. Constrói o ninho em cavidades, utilizando musgo e deixando apenas um buraco para entrada. É uma ave muito engraçada pela sua forma e atitude típica.

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Desenho elaborado por João Cardoso 
 

Nome comum: Coruja-do-mato

Nome científico: (Strix aluco)

Tamanho: 37 a 43 cm

É uma ave de rapina noturna de médio porte que se encontra entre nós durante todo o ano. Esta espécie é comum em Portugal e na nossa região frequenta praticamente todas as áreas florestais com espaços abertos. Os soutos são os seus habitats preferidos. Alimenta-se de ratos, insetos e por vezes de aves. Nidifica em buracos de árvores utilizando muito frequentemente os castanheiros. O seu canto que se escuta de noite, principalmente no outono e inverno é conhecido de muitos de nós. É uma espécie importante no controlo de pragas de ratos.

 

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Desenho elaborado por Sara Ferreira
 

Nome comum: Petinha-dos-prados

Nome científico: (Anthus pratensis)

Tamanho: 14 a 15 cm

É uma pequena ave que anda pelos campos abertos e prados como o seu próprio nome indica. Reproduz-se no norte da europa, sendo migratória e estando entre nós desde o início de outubro até fins de março. Normalmente andam em grupos com um número de indivíduos variável que vai de 4 ou 5 a uma ou duas dezenas, deslocando-se a andar pelo meio da erva baixa onde procuram insetos e vermes de que se alimentam. Muitas vezem andam juntamente com alvéolas e petinhas-ribeirinhas. É uma ave comum. Pode-se observar com alguma facilidade, não tendo muito medo das pessoas, aparecendo também em locais próximos das povoações.

 

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Desenho elaborado por Isabel Belo

Nome comum: Abelharuco

Nome científico: (Merops apiaster)

Tamanho: 25 a 29 cm

É uma das nossas aves mais bonitas com várias cores garridas. Tem um tamanho médio aproximado ao do melro. Alimenta-se de insetos que apanha em voo e reproduz-se por cá, em buracos que constrói em barreiras na terra. Só se encontra entre nós nos meses de abril a setembro, passando o resto do ano na parte sueste de África. O concelho de Vila Pouca de Aguiar está na fronteira da sua área de reprodução, sendo uma espécie pouco comum e nidificando apenas nos locais mais baixos e a leste, que apresentam um clima mais mediterrânico. Após a fase de reprodução, desde meados de julho até setembro agrupam-se em bandos que chegam por vezes a uma centena de indivíduos e andam sobre as encostas ensolaradas com matos de montanha a apanhar insetos.

 

 

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Desenho elaborado por João Cardoso

Nome comum: Perdiz

Nome científico: (Alectoris rufa)

Tamanho: 32 a 35 cm

A perdiz é uma ave que vive entre nós durante todo o ano, não sendo migratória. Habita em diferentes tipos de paisagens, preferindo espaços abertos com vegetação intercalada, ou espaços com agricultura pouco intensiva. Caminha pelo chão e só voa em caso de necessidade, com um forte e rápido bater de asas. Alimenta-se de sementes e folhas de plantas. Nidifica no chão e os seus filhos quando nascem acompanham logo a progenitora pelos campos, enquanto se alimentam. Como é uma ave cinegética, percebe-se uma grande diminuição no seu número, durante a época de caça. Todos os anos são libertadas perdizes criadas em cativeiro.

 

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Desenho elaborado por Ana Sousa

Nome comum: Águia-calçada

Nome científico: (Aquila pennata)

Tamanho: 45 a 50 cm

A águia-calçada é uma pequena águia que se encontra entre nós na época de reprodução, desde fins de março a inícios de outubro. Na época de inverno desloca-se para diversos pontos de África, principalmente mais a sul. São pouco comuns na nossa região, existindo apenas alguns casais que se reproduzem no concelho de Vila Pouca de Aguiar. A maioria dos indivíduos apresentam plumagem clara na sua parte inferior, mas alguns são bastante escuros, podendo confundir-se com os milhafres-pretos. Fazem o seu ninho em árvores, escolhendo preferencialmente carvalhos ou sobreiros. Preferem voar alto, planando em correntes de ar ascendente. Alimentam-se de répteis, pequenos mamíferos e aves.

 

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Desenho elaborado por Sara Ferreira
 
 

Nome comum: Andorinha-dos-beirais

Nome científico: (Delinchon urbicum)

Tamanho: 13 a 15 cm

 

Esta é uma das cinco espécies de andorinhas que existem na nossa região e é a mais comum nas zonas urbanas. É uma ave migratória, conhecida por simbolizar a primavera, chegando em força no mês de março para se reproduzir por cá. De fevereiro a outubro elas podem-se ver no norte de Portugal e na época de inverno vão para África, para sul do Sara. Vivem em grupo e por vezes constituem colónias com mais de cem indivíduos. Tem uma grande relação com as construções humanas e fazem os seus ninhos de barro nos beirais dos telhados das nossas casas. Alimentam-se de insetos que apanham em voo.

 

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Desenho elaborado por Inês Belo

Nome comum: Bufo-real

Nome científico: (Bubo bubo)

Tamanho: 60 a 70 cm

O bufo-real, conhecido por újo pelas pessoas mais idosas, é uma imponente ave de rapina noturna. Até aos anos 60 era comum na nossa região, mas atualmente devido à destruição do seu habitat e à perseguição humana, tornou-se muito rara e difícil de observar. É uma espécie bastante versátil nas presas de que se alimenta. Prefere pequenos mamíferos e aves, mas pode alimentar-se de outras aves de rapina ou até raposas. Prefere locais abrigados do frio e do vento e passa o dia a dormir escondido. Antigamente devido à fome, as pessoas da nossa região iam aos ninhos destas aves para lhes tirar e comer as suas presas de caça que levavam para os filhos.

 

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Desenho elaborado por João Cardoso

Nome comum: Guarda-rios

Nome científico: (Alcedo athis)

Tamanho: 17 a 19 cm

O guarda-rios é uma das aves mais bonitas da nossa avifauna selvagem, devido às suas cores e silhueta rechonchuda. Por isso é também uma das espécies mais cobiçadas pelos fotógrafos de natureza.

Entre nós é escassa, localizando-se nas albufeiras do Alvão e de Pinhão Cel e também nos Rios Corgo e Avelames. É uma ave tímida o que torna um pouco difícil a sua observação no nosso concelho. Nidifica em buracos que constrói nas margens dos rios ou lagos. Vive por cá todo o ano. Alimenta-se de pequenos peixes e anfíbios ou girinos.

Devido ao seu voo rápido, em linha reta junto à superfície da água e à cor do seu peito, há regiões do país onde se lhe chamam “condutor em brasa”.

 

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Desenho elaborado por Miguel Fonseca

Nome comum: Corvo

Nome científico: (Corvus corax)

Tamanho: 54 a 67 cm

O corvo é o maior dos passeriformes, superando o tamanho da águia-de-asa-redonda. Pelos nossos lados é normalmente confundido com a gralha-preta, que é uma ave semelhante mas mais pequena, mais numerosa e mais fácil de observar. O corvo é uma ave tímida, que evita aproximar-se das pessoas. É omnívoro. Vive entre nós todo o ano e nidifica preferencialmente em rochedos. Nos últimos anos tem nidificado um casal num pilar do viaduto a sul de Vila Pouca de Aguiar. É uma ave que vive bastantes anos e acasala para toda a vida, sendo normal verem-se aos pares. Utiliza frequentemente o voo planado em correntes de ar ascendente e gosta de fazer algumas acrobacias, voando invertido, em especial na época de reprodução.

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Desenho elaborado por André Ribeiro

Nome comum: Chapim-de-poupa

Nome científico: (Lohpophanes cristatus)

Tamanho: 10,5 a 11,5 cm

O chapim-de-poupa é uma pequena e bonita ave, que habita as florestas com maior preferência pelos pinheiros. É comum mas difícil de observar por andar sempre entre a folhagem. Vive entre nós todo o ano. Constrói o seu ninho em pequenos buracos escolhendo troncos secos. Alimenta-se principalmente de insetos mas também come algumas sementes pequenas e por isso é uma ave que frequenta os comedouros. Durante a época de inverno vagueiam pelas florestas, conjuntamente com outras espécies de chapins, formando grupos com uma ou duas dezenas de indivíduos.

 

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Desenho elaborado por Isabel Belo

Nome comum: Tentilhão-montês

Nome científico: (Fringilla montifringilla)

Tamanho: 14 a 16 cm

 

O tentilhão-montês é uma bonita ave granívora, que nidifica no norte e leste da europa e que nos visita entre novembro e fins março. É uma espécie rara entre nós, mas em alguns invernos aparece em maior número, sendo mais fácil observá-los. Alimentam-se de sementes e frequentam campos de cultivo onde aproveitam restos que ficam após a época das culturas. Andam em grupos conjuntamente com outras aves granívoras como os verdilhões e os tentilhões-comuns. No inverno estendem-se pelo território de Portugal continental, mas são mais fáceis de observar no norte.

 

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Desenho elaborado por Tiago Pinto

Nome comum: Poupa

Nome científico: (Upupa epops)

Tamanho: 25 a 29 cm

 

A poupa é uma ave inconfundível, especialmente pela sua característica poupa que lhe dá o nome. É uma ave engraçada com um voo pausado que faz lembrar uma borboleta. Está entre nós na época de reprodução, partindo para sul na época de inverno. Por vezes fica por cá um ou outro indivíduo durante o inverno. Frequenta bosques abertos e zonas rurais. Alimenta-se de insetos, das suas larvas bem como de outros pequenos animais. Faz o seu ninho dentro de cavidades de árvores ou de muros. É bem conhecida pelo seu ninho “mal cheiroso”, porque ao contrário das outras aves que nidificam em cavidades, não tem o hábito de retirar os excrementos dos filhos, que assim se vão acumulando.

 

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Desenho elaborado por Isabel Belo

Nome comum: Peneireiro

Nome científico: (Falco tinnunculus)

Tamanho: 32 a 35 cm

 

O peneireiro é um pequeno falcão que reside entre nós durante todo o ano. O seu nome deve-se ao hábito de ficar parado no ar com as asas a bater -  “peneirar”, enquanto procura presas. Frequenta diversos habitats, preferindo espaços abertos. No verão por vezes concentram-se a caçar nas encostas das nossas serras, grupos de vários indivíduos vindos de diversos lugares. Alimentam-se de insetos e pequenos animais. Fazem o seu ninho em falésias ou aproveitam antigos ninhos de corvos ou gralhas.

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